A resposta curta: um road trip na Costa Vicentina são cerca de 140 km de Porto Covo, a norte, até Sagres e ao Cabo de São Vicente, a sul. A espinha dorsal do percurso é a N120 pela costa alentejana e a N268 pela serra algarvia, estradas de duas faixas com pouco trânsito, e cada paragem é um pequeno desvio para poente até uma aldeia ou uma praia. Pode fazê-lo num dia comprido, mas duas noites são o mínimo para o aproveitar, e quatro ou cinco são melhor. Qualquer carro serve, incluindo o mais pequeno dos carros de aluguer, desde que faça devagar os estradões de terra até às praias.
Vivemos no ponto médio desse percurso, a 3 km de Odeceixe, e conduzimos troços dele quase todas as semanas: para ir buscar hóspedes, para transportar bagagens ao longo do trilho, ou simplesmente para chegar a uma praia. Esta é a versão itinerante da costa, uma aldeia diferente em cada noite. Se preferir desfazer as malas uma só vez e explorar a partir de uma única base, o nosso roteiro da Costa Vicentina em 7 dias faz exatamente isso, e os dois artigos devem ler-se como alternativas, não em conjunto.
Antes de partir: o carro, as estradas e o combustível
A maioria dos road trips por aqui começa num aeroporto, e a escolha entre Faro e Lisboa decide em que ponta começa. Se aterra em Lisboa, começa naturalmente em Porto Covo e desce para sul; se aterra em Faro, ou começa em Sagres e sobe para norte, ou atravessa primeiro até Porto Covo e faz o percurso tal como está escrito. Ambas as opções funcionam. Explicámos a decisão do aeroporto, as distâncias e as opções de transfer no nosso guia sobre voos para a Costa Vicentina e que aeroporto escolher, por isso este artigo arranca já na costa.
Sobre o carro: reserve-o antes de voar, sobretudo para julho e agosto, e escolha o mais pequeno em que se sinta confortável. As ruas das aldeias são estreitas, os parques das praias são pequenos e nada neste percurso exige tração às quatro rodas. Um automático custa mais e esgota primeiro. Aceite o identificador de portagens eletrónicas que a empresa de aluguer lhe oferece, porque a A2 e a A22, as autoestradas que usa para chegar à costa, têm portagens sem cabines, e acertar as contas depois é uma maçada.
Sobre as estradas: a N120 é uma boa estrada de duas faixas, com um camião lento de vez em quando e, no verão, um ciclista de vez em quando. A N268, a sul de Aljezur, é mais estreita e mais sinuosa, com vistas a sério. Os condutores portugueses ultrapassam com decisão; mantenha-se à direita e deixe-os passar. Os limites são 90 km/h em estrada aberta e 50 dentro das localidades, e a polícia fiscaliza mesmo na N120 perto de Odemira e de Aljezur.
Sobre o combustível: abasteça nas vilas, não nas áreas de serviço da autoestrada, e não deixe o depósito ir abaixo. Ao longo do percurso, as bombas fiáveis ficam em Vila Nova de Milfontes, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo. Entre a Zambujeira do Mar e Aljezur, um troço de cerca de 35 km, não há nada. Quem conduz um elétrico encontra carregadores nas aldeias maiores, mas não em todos os parques de praia; conte carregar em Milfontes, Aljezur e Sagres.
De norte para sul, ou de sul para norte?
O percurso está escrito de norte para sul porque é assim que a costa se lê no mapa e assim que se caminha o Trilho dos Pescadores, mas funciona igualmente bem ao contrário, e a escolha costuma depender do aeroporto. A partir de Lisboa, comece em Porto Covo e acabe em Sagres, depois regresse a Lisboa pela A2 em cerca de três horas, ou siga até Faro pela costa sul se for de lá que parte. A partir de Faro, ou vai diretamente até Porto Covo, cerca de duas horas e meia por autoestrada, e faz o percurso como está escrito, ou começa em Sagres, a uma hora e um quarto do aeroporto, e sobe para norte, terminando em Porto Covo com Lisboa a duas horas.
Descer para sul tem uma vantagem que vale a pena nomear: o mar fica à sua direita o caminho todo, o que quer dizer que os miradouros e as saídas para as praias ficam do seu lado da estrada, e todas as tardes a luz vem do lado do mar. Subir para norte deixa-lhe os pores do sol nas costas. É um pormenor, e é a razão pela qual a maioria dos nossos hóspedes que faz o road trip o faz para sul.
Etapa 1: de Porto Covo a Vila Nova de Milfontes, cerca de 20 km
Porto Covo é uma pequena aldeia de pescadores com um largo caiado, alguns restaurantes e um rosário de enseadas lá em baixo. Estacione no largo ou na estrada que leva até ele; a aldeia é tão pequena que vai a pé a todo o lado. Desça à Praia Grande ou às enseadas minúsculas a norte dela, e olhe para a Ilha do Pessegueiro, uma pequena ilha com um forte em ruínas a um par de quilómetros para sul, a que chega pelo caminho da arriba ou de carro até ao parque de estacionamento do próprio forte.
De Porto Covo, a estrada para sul afasta-se um pouco do mar, por entre campos, e chega a Vila Nova de Milfontes em cerca de 20 km. É a maior vila da costa alentejana, assente no largo estuário do rio Mira, e merece uma tarde: as praias de rio no estuário, o pequeno forte sobre a água, os restaurantes da frente ribeirinha. O estacionamento é o primeiro verdadeiro teste da viagem. No verão, as ruas junto ao rio enchem ao meio-dia; use os parques maiores na periferia da vila e entre a pé.
Praias que valem o desvio aqui: a Praia do Malhão, a norte da vila, uma praia longa e selvagem a que se chega por uma estrada asfaltada e depois um estradão, e a Praia das Furnas, na margem sul do estuário, atravessando a ponte e voltando em direção ao mar.
Etapa 2: de Milfontes à Zambujeira do Mar, cerca de 30 km
A sul de Milfontes, a costa torna-se mais selvagem. A estrada passa por Almograve, uma aldeia sossegada com uma praia de rochas escuras e areia clara mesmo por baixo e estrada asfaltada até ao parque, e depois pelo farol do Cabo Sardão, onde as cegonhas-brancas nidificam nos penedos mesmo ao largo. O farol tem um pequeno parque e uma curta caminhada até à beira da arriba, e é uma das melhores vistas gratuitas de toda a costa. Dê-lhe meia hora, mais na primavera, quando as cegonhas estão nos ninhos.
Segue-se a Zambujeira do Mar, a cerca de 30 km de Milfontes pela estrada da costa. É uma aldeia no alto da arriba com a praia mesmo por baixo da capela, a que se desce por uma longa escadaria, e uma segunda praia, a Praia dos Alteirinhos, a dez minutos a pé para sul. Estaciona-se nas ruas por cima da arriba; em agosto, e sobretudo durante o Festival Sudoeste na primeira semana, chegue cedo ou estacione à entrada da aldeia. A Zambujeira dá uma boa primeira ou segunda noite: pequena, para andar a pé, com um pôr do sol a sério.
Entre a Zambujeira e a paragem seguinte fica a Praia do Carvalhal, uma das praias mais selvagens da costa. O último troço é um estradão de terra nivelado a partir da N120, bom para um carro normal a passo de caminhada, com um parque poeirento atrás das dunas. Não há nadador-salvador fora do verão nem sombra em altura nenhuma.
Etapa 3: da Zambujeira a Odeceixe, cerca de 18 km
Neste troço, a N120 entra para o interior, por São Teotónio, uma vila agrícola com cafés, supermercado e farmácia, útil para reabastecer. Logo a seguir, a estrada desce ao vale da ribeira de Seixe e Odeceixe aparece: casas brancas empilhadas numa colina, um moinho no topo. A ribeira lá em baixo é a fronteira entre o Alentejo e o Algarve, por isso, ao atravessar a ponte, muda de região.
Estacione no fundo da aldeia, perto da ribeira, no parque junto à estrada principal, e suba a pé. As ruas são íngremes e estreitas, e subir de carro até ao topo é um erro que toda a gente comete uma vez. A aldeia é pequena e encantadora, com um ou dois cafés no largo e o moinho por cima. A Praia de Odeceixe, a praia eleita uma das sete maravilhas naturais de Portugal, fica 3 km para poente ao longo da ribeira, por uma estrada asfaltada que termina em dois parques, um junto ao rio e outro na arriba por cima. Em agosto enchem a meio da manhã; antes das 10h30 ou depois das 16h30 encontra lugar.
Esta é a nossa aldeia, e o ponto médio natural da viagem. Escrevemos um guia completo sobre o que fazer em Odeceixe e sobre a própria praia, com as marés, o estacionamento e os seus dois lados. As nossas casas ficam a 3 km da aldeia, com estacionamento à porta, e uma noite aqui parte a viagem no sítio certo.
Etapa 4: de Odeceixe a Aljezur, cerca de 15 km
A sul de Odeceixe já está no Algarve, e a paisagem muda: serras mais altas, mais eucalipto e estradas com mais curvas. Aljezur fica a cerca de 15 km pela N120, uma vila em duas colinas separadas por uma ribeira, com as ruínas de um castelo mouro do século X no topo da mais antiga. Estacione na parte nova, em baixo, junto à ribeira, onde há um parque grande, e suba a pé pelas ruas antigas até ao castelo para a vista. Ao sábado, o mercado traz toda a região à vila.
É em Aljezur que os desvios para as praias se multiplicam. A Praia da Amoreira, na foz da ribeira de Aljezur, fica a cerca de 8 km para poente por uma estrada asfaltada com um parque grande: uma lagoa de rio de um lado, surf do outro, a praia de família da zona. A Praia de Monte Clérigo, um pouco mais a sul, tem um núcleo de casas de férias, restaurantes de peixe simples e um parque que enche ao meio-dia no verão. E a Praia da Arrifana, a cerca de 10 km para sudoeste, assenta numa baía em anfiteatro por baixo de uma aldeia na arriba, com um parque minúsculo em cima e uma estrada íngreme que desce a um segundo, junto ao areal. Em agosto, o estacionamento da Arrifana é o mais apertado da costa; vá cedo ou vá ao fim da tarde para o pôr do sol.
O nosso guia sobre o que fazer em Aljezur cobre a vila, o mercado e a batata doce, e o nosso guia das melhores praias perto de Odeceixe ordena estas praias com tempos de carro a partir da nossa base.
Etapa 5: de Aljezur à Carrapateira, cerca de 22 km
Em Aljezur, deixe a N120, que entra para o interior em direção a Lagos, e apanhe a N268 para sul. É a estrada mais cénica da viagem: sobe por serras de esteva e pinheiro, com o mar a aparecer e a desaparecer à direita, e desce, passados cerca de 22 km, até à Carrapateira. Pelo caminho há uma saída sinalizada para a Praia do Vale dos Homens, uma praia selvagem no fim de um longo estradão de terra. O estradão faz-se num carro normal, mas devagar, e lá em baixo não há nada além de areia, arribas e uma escadaria de madeira.
A Carrapateira é uma pequena aldeia branca com duas das maiores praias da costa. A Praia da Bordeira, a norte, é uma extensão enorme de areia encostada a dunas e a uma ribeira; estacione no topo da estrada das dunas ou continue por um estradão arenoso até ao parque junto ao rio. A Praia do Amado, a sul, é uma praia de surf com estrada asfaltada, um parque grande, escolas de surf e um café. Entre as duas, um percurso pedestre circular, o PR1 à volta do promontório do Pontal da Carrapateira, é uma das melhores caminhadas curtas da costa e leva cerca de duas horas a partir da aldeia.
A Carrapateira é um bom sítio para dormir: sossegada, com um par de restaurantes, e com as praias suficientemente perto para ir a pé ao pôr do sol. Os surfistas já a conhecem; o nosso guia de surf na Costa Vicentina cobre a Bordeira e o Amado por nível.
Etapa 6: da Carrapateira a Sagres e ao cabo, cerca de 30 km
A N268 continua para sul por Vila do Bispo, uma vila pequena com bomba de combustível, supermercado e uma padaria onde vale a pena parar, e chega a Sagres em cerca de 27 km. Sagres é um sítio de outro tipo: uma vila baixa espalhada por um promontório, mais exposta e mais ventosa do que tudo a norte, com uma fortaleza na ponta e praias dos dois lados. A Praia da Mareta, na vila, e a Praia do Beliche, na estrada para o cabo, são as fáceis, com estradas asfaltadas e parques. A Praia do Tonel, por baixo da fortaleza, é a praia de surf.
Os últimos 6 km levam-no ao Cabo de São Vicente, o extremo sudoeste da Europa. Há um farol, um parque de estacionamento grande, uma ou duas bancas a vender salsichas e camisolas contra o vento, e uma beira de arriba sem nada para lá dela. Vá ao pôr do sol se puder, quando os autocarros de excursão já se foram embora. É o fim do percurso, e o ponto a partir do qual a costa vira para nascente e entra no Algarve propriamente dito.
Estacionar na Costa Vicentina: o retrato honesto
Fora de julho e agosto, estacionar não é problema em lado nenhum deste percurso. Dentro deles, é a coisa mais útil à volta da qual planear. O padrão é o mesmo em todo o lado: os parques das praias são pequenos, de terra e gratuitos, enchem entre as 11h00 e as 16h30, e as aldeias têm estacionamento na rua que enche um pouco mais tarde. As praias com pressão a sério são a Arrifana, Monte Clérigo, a Praia de Odeceixe e a Zambujeira. As praias que quase sempre têm lugar são a Bordeira, o Amado, o Carvalhal e o Malhão, porque são simplesmente grandes de mais para encher.
Três regras que funcionam. Chegue à praia antes das 10h30 ou depois das 16h30, que são também as melhores horas de luz e de mar. Nas aldeias, estacione à entrada e vá a pé; a caminhada nunca passa de dez minutos, e as ruas foram feitas para burros. E nunca estacione sobre a vegetação das dunas nem na berma de um estradão de terra, tanto porque os vigilantes do parque multam mesmo como porque a areia é mais mole do que parece.
Os estradões de terra, praia a praia
A pergunta que mais nos fazem sobre a condução é se um carro normal chega às praias, e a resposta é sim para todas, com cuidado. As praias asfaltadas, onde estaciona em alcatrão, são a Praia de Odeceixe, Amoreira, Monte Clérigo, Arrifana, Amado, Zambujeira, Almograve, Mareta e Beliche. Os estradões de terra nivelados, bons para qualquer carro a passo de caminhada, levam ao Carvalhal, ao parque de baixo da Bordeira, ao último troço do Malhão e ao forte do Pessegueiro. Os estradões longos e mais rudes, ainda transitáveis mas lentos e poeirentos, são o Vale dos Homens e algumas das enseadas sem sinalização entre a Zambujeira e Odeceixe.
Os carros de aluguer aguentam todos eles, mas verifique o contrato: alguns excluem danos em estradas não asfaltadas, e um furo lento causado por uma pedra afiada é a recordação clássica de um road trip. Leve água, porque os estradões são quentes e sem sombra, e note que as praias no fim dos estradões longos não têm nadador-salvador fora do verão nem café em altura nenhuma.
O percurso em números
| Etapa | Estrada | Distância | Desvios até praias |
|---|---|---|---|
| Porto Covo a Vila Nova de Milfontes | N120 e estradas locais | cerca de 20 km | Pessegueiro, Malhão, Furnas |
| Milfontes a Zambujeira do Mar | estrada da costa por Almograve | cerca de 30 km | Almograve, Cabo Sardão, Alteirinhos |
| Zambujeira a Odeceixe | N120 por São Teotónio | cerca de 18 km | Carvalhal, Praia de Odeceixe |
| Odeceixe a Aljezur | N120 | cerca de 15 km | Amoreira, Monte Clérigo, Arrifana |
| Aljezur a Carrapateira | N268 | cerca de 22 km | Vale dos Homens, Bordeira, Amado |
| Carrapateira a Sagres e ao cabo | N268 | cerca de 30 km | Mareta, Beliche, Tonel |
Somando os desvios, o total anda pelos 250 km em toda a viagem, o que, ao ritmo destas estradas, dá cerca de cinco horas de condução efetiva, repartidas pelos dias que lhe quiser dar.
Quantos dias, e onde dormir
O percurso completo são cerca de 140 km de estrada, o que parece nada, e é, se o fizer sem parar. Com os desvios até às praias, cada um dos quais acrescenta 10 a 20 km entre ida e volta, e com as caminhadas e os almoços, vai percorrer qualquer coisa como 250 km ao longo da viagem. Duas noites, uma na Zambujeira ou em Odeceixe e outra na Carrapateira ou em Sagres, é a versão mais rápida que recomendaríamos. Quatro noites, juntando Milfontes e Aljezur, deixam dar a cada etapa uma tarde de praia como deve ser. Uma semana permite juntar uma etapa do Trilho dos Pescadores a pé, que é a melhor maneira de ver as arribas por onde tem passado de carro.
Para escolher onde dormir, aldeia a aldeia, com quem cada uma serve e com quanta antecedência reservar, leia o nosso guia sobre onde ficar na Costa Vicentina. E se este artigo o convenceu de que a costa é suficientemente pequena para se explorar a partir de um só sítio, é exatamente a essa conclusão que chega a maioria dos nossos hóspedes. O nosso guia completo da Costa Vicentina apresenta as duas abordagens, e as nossas casas, no ponto médio do percurso, estão lá para quando lhe apetecer parar de conduzir por uns tempos.